16 November, 2018, 18:48

O ÓCIO, O TEMPO E O ESPAÇO

O que você faz quando não está fazendo nada que julgue “importante”? Se me permite, vou tentar adivinhar. Acredito que quando o tempo está muito ocioso, você goste de dar aquela conferida nos aplicativos do seu celular ou pensar demais naquelas atividades inacabadas, certo?

Para nós, que somos frutos de uma sociedade moderna e extremamente conectada, estar em um momento de pura inércia tem sido quase um pecado. O que é um equívoco, porque até mesmo o vazio tem um propósito.

Seu cérebro precisa de uma dose de devaneios, é o que aponta a pesquisadora e professora de educação, psicologia e neurociência na Universidade do Sul da Califórnia, Mary Helen Immordino-Yang.

O estudo mostra que quando estamos mais relaxados ou focados no que acontece dentro da gente, nosso cérebro entra em um sistema que chamamos de “default”. Essa atividade está diretamente ligada ao funcionamento socioemocional, que inclui autoconhecimento, julgamentos morais, raciocínio e a percepção do mundo que nos cerca.  

Prestar atenção no que acontece em nosso interior é o que nos ajuda a construir nossas memórias, além de ser importante para o desempenho de nossas tarefas do cotidiano. Hayao Miyazaki, diretor de animações como “A Viagem de Chihiro“, “Princesa Mononoke” e “O Castelo Animado“, explora bem esse tema em suas obras. Se você nunca conferiu, vale muito a pena conhecer um pouco mais sobre a filosofia dessas histórias.

Tire uma mini férias de suas redes sociais e de tudo que exige demais da sua atenção. Minar oportunidades de reflexão pode roubar de você um tempo importantíssimo para o seu desenvolvimento psicológico.

Portanto, da próxima vez em que você se sentir culpado por não estar fazendo nada demais, lembre-se de que a ausência de atividades também nos ajuda a interagir com o mundo e proporciona um tempo raro e especial somente para a contemplação dele.

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