19 October, 2018, 12:16

Mais do que econômica, nossa crise é hídrica

Até 2040, as grandes cidades mundiais sofrerão com a falta do nosso bem mais precioso, a água. O diagnóstico vem se agravando ano após ano. A cada dia, temos mais pessoas consumindo água de maneira indiscriminada e mais rios de água potável sendo contaminados e sofrendo as consequências de nossos abusos.

Em breve, a poluição se espalhará como metástase e matará a vida na terra, se não começarmos a agir o mais rápido possível. Essa pauta não é nova, ela está nos livros de ciência, na grade escolar, nas campanhas publicitárias e até no planejamento de conduta de grandes empresas, mas, na prática, pouco contribuímos para que o desperdício seja controlado.

A Cidade do Cabo, na Africa do Sul, pode se tornar a primeira metrópole sem água no mundo e, por lá, quatro milhões de pessoas já começaram a sofrer com a crise hídrica. Depois de três anos sem chuvas, essa foi considerada a pior seca do século pelos estudiosos.

Em fevereiro, o governo chegou a restringir o consumo diário de água para apenas 50 litros por pessoa. Se você levar em consideração que uma descarga consome em média 09 litros de água e que a cada 01 minuto de banho 19 litros vão embora pelo ralo, a estatística é preocupante.

No Brasil, nossas torneiras ainda pingam o dia inteiro e nossos quintais são lavados mesmo após a chuva. Embora conter esses gastos e tentar reutilizar a água em casa faça muita diferença, existe um outro agravante super importante a se considerar, o uso das riquezas naturais na agricultura e na indústria.

A maior reserva continental mundial está no nosso país, mas nossos reservatórios estão baixos e cerca de 72% da água captada vai para a produção agrícola. Safras como as de feijão e milho já começaram a sofrer com a perda de produtividade por conta da crise hídrica.

Além disso, agora ainda temos o agravante da Lei dos Agrotóxicos (PL de número 6299/02), que foi aprovada em junho deste ano pelo plenário brasileiro. A operação vai na contramão do que o mundo tem tentado fazer até então, pois o resultado final é um solo ainda mais contaminado.

Ignoramos totalmente o fato de que a falta de água está conectada ao desaparecimento de povos e tribos inteiras, como os maias e os anasazis, por exemplo. Embora ainda culpemos a falta de chuva pela seca, é importante salientar que essa ausência também é consquência de nossas ações.  O desmatamento da amazônia, por exemplo, cria uma ilha de calor que interfere no caminho dos ventos, fazendo com que a umidade não se espalhe, dificultando a chegada de chuva em diversas partes do globo.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 850 milhões de pessoas em todo o mundo não têm acesso a água potável atualmente. A gente se esquece disso muito fácil, porque abrir a torneira e ver a água correndo fez com que a gente desconsiderasse o fato de que ela é finita e infelizmente estamos muito perto de enfrentar uma falta crônica, de maneira dolorosa e radical. Não existe preço que dimensione o valor do nosso bem mais importante para a sobrevivência na terra, sem água não há vida.

Precisamos, urgentemente, administrar melhor nossos recursos ambientais e impedir que bactérias matem nossos rios e vidas aquáticas. O gerenciamento para o uso sustentável e consciente da água é emergencial, é pra ontem!

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